Achei belíssima essa tira do ilustrador brasileiro Gus Morais, que vocês podem conferir abaixo, sobre o início da popularização da Internet no Brasil.
Eu não cheguei a viver esse momento da Internet (segunda metade dos anos 90), embora conheça algumas pessoas que sim. Mas utilizei durante muito tempo a Internet discada, e lembro bem do tempo que levava para carregar um vídeo no YouTube... Ainda me recordo da emoção de conseguir baixar minhas primeiras músicas em mp3 (ok, levava mais de meia hora para fazer o download de uma mísero arquivo).
Hoje, o computador e a Internet constituem não só meios de eu ter acesso a bens culturais que dificilmente conseguiria de outra forma, dadas a região em que moro e a minha situação financeira (apertada, como a da maior parte dos brasileiros), mas também importantes ferramentas de estudo e trabalho. Grande parte das bandas e músicas de gosto só pude conhecer dessa forma, assim como muitos filmes e séries. Livros nunca chegaram a ser problema, mas em horas de aperto (precisando de títulos difíceis de serem encontrados no mercado e em bibliotecas) também já consegui me beneficiar com alguns e-books.
São inegáveis os benefícios que a informática nos oferece. Se utilizados com responsabilidade, tais recursos, ao contrário do que costumam alardear seus detratores, possibilitam não só entretenimento e diversão, mas a aquisição e o compartilhamento reais de conhecimento e cultura.
Se estivesse vivo, Freddie Mercury, o carismático vocalista do Queen, teria completado 65 anos de idade no último dia 05 de setembro.
Provavelmente, uma das homenagens mais bonitas que o astro recebeu foi um fofíssimo Doodle animado criado pelo Google. Além de a logomarca da empresa aparecer bastante estilizada, após o carregamento podia-se assistir a um pequeno video com a música "Don't stop me now", do álbum Jazz (1978). Para quem não viu:
Ainda em 2011, em 24 de novembro, completam-se os 20 anos da morte de Freddie, mais uma vítima da AIDS.
Cada vez mais sofisticados, os Doodles surgiram em agosto de 1998, quando os fundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, resolveram fazer uma brincadeira com o logotipo da empresa para indicar a sua presença no festival de contracultura Burning Man, no deserto de Black Rock, no estado americano de Nevada. O símbolo do festival, o "homem", na forma de um desenho simples, foi colocado atrás do segundo "o" do nome Google. Segundo a página com a História dos Doodles, "o logotipo modificado era uma forma bem-humorada de dizer aos usuários que os fundadores haviam 'saído do escritório'".
Desde então, já foram criados cerca de mil Doodles (calacula-se que 300 para os Estados Unidos e 700 para o resto do mundo). Veja todos os Doodles na página sobre eles ou confira a lista apresentada na Wikipedia. É possível assistir outras animações como a em homenagem a Freddie Mercury no canal oficial de vídeos do Google no Youtube.
Como você já deve estar careca de saber, a cantora inglesa Amy Winehouse foi encontrada morta no último dia 23 de julho, em sua casa, em Londres. Embora imaginemos o que aconteceu, a necrópsia realizada não foi capaz de determinar a causa da morte de Amy. Os resultados de alguns exames toxicológicos ainda são aguardados.
Essa era uma tragédia anunciada. Pelo consumo excessivo de álcool e drogas, a aparente falta de apoio das pessoas mais próximas para o tratamento de sua dependência química e a ganância dos veículos de comunicação por lucrar com seu drama diário, todos sabíamos que a morte de Amy aconteceria mais cedo ou mais tarde - a não ser que ela tivesse a resistência de um Keith Richards ou caísse no ostracismo de um Syd Barrett.
Mas, devo admitir que, ainda assim, fiquei um pouco chocada - talvez essa não seja a melhor palavra - quando vi a notícia na televisão. Na verdade, a sensação é a de que algo terminou de maneira muito estúpida, antes do tempo devido. Porque Amy, assim como qualquer outra pessoa de sua idade, tinha um longo caminho pela frente e merecia trilhá-lho. E porque, no fundo, gostaria que ela se recuperasse, que continuasse fazendo música, que lançasse mais discos e que pudesse se apresentar mais "inteira". Enfim, que conseguisse explorar todo o seu potencial, não continuasse no estado degradante dos últimos tempos, caricatura de si mesma. Penso que isso, sim, poderia constituir uma contribuição para a música muito maior e mais interessante do que virar objeto de culto por ter morrido jovem como tantos outros músicos.
É que, em uma bizarra coincidência, a cantora passou a integrar o chamado Clube dos 27, formado por ícones da cultura pop que, como ela, sucumbiram aos 27 anos de idade. A lista é enorme. Talvez - especulo eu - a opção da família de Amy pela cremação do corpo tenha sido até uma estratégia para evitar que, no futuro, o túmulo da artista virasse um ponto de peregrinação, como ocorre com o de Jim Morrison (outro do clube) em Paris.
Não serei falsa a ponto de dizer que morria de amores por Amy Winehouse, que estou inconsolável, etc., etc. - até porque acho irritante e deplorável essa histeria que a pessoas, em tempos de Internet, têm toda vez que acontece algo com algum artista. Eu nem a ouvia tanto, muito menos posso dizer que era fã. Porém, reconheço que a cantora foi/é a grande personalidade da última década, não só musicalmente falando, mas também em estilo e comportamento. E fato é que Amy era uma boa letrista e não precisava de artifícios pseudo-artísticos ou de um show pirotécnico para poder soltar o vozeirão - embora, é claro, a coisa fluísse muito melhor quando ela estava um pouco mais sóbria.
O ponto é que, independentemente de eu gostar ou não de sua música, apenas acho triste que uma pessoa de incontestável talento, que podia ter rendido muito mais, termine assim seus dias. Não sei por que, a morte de Amy tem para mim um gosto amargo.
Algumas canções que acho bem legais em sua voz:
Mais: - Veja o texto "Seu último desejo" no blog de Zeca Camargo; - Confira a opinião de Marcelo Costa, editor do Scream & Yell, no post "Amy Winehouse, 27 anos" no blog Calmantes com Champagne 2.0; - Leiam no post "Back to Black" do blog O Mundo Gira, a Lusitana Roda..., de Tatiana Rezende, a tradução de uma das últimas entrevistas concedidas por Amy, à revista de moda Harper’s Bazaar.
Definitivamente, Joel Schumacher não é dos meus diretores de cinema favoritos. Realmente, é difícil ter apreço pela criatura responsável pelo horripilante Batman & Robin - na minha opinião, um dos piores filmes de todos os tempos, com um George Clooney canastrão que só ele encarnando Bruce Wayne. Ok, Batman Forever já não foi grande coisa, mas pelo menos tinha Val Kilmer (ainda bonitão), dando um pouco mais de "dignidade" ao playboy herói de Gothan City.
Mas tenho que admitir que Schumacher tem lá seus méritos, já que dirigiu ao menos uns quatro filmes interessantes: Os garotos perdidos (The lost boys, de 1987, que não é bem um clássico sobre vampiros, mas é bem melhor que qualquer Crepúsculo), O Cliente (The Client, de 1994), Tempo de matar (A time to kill, de 1996, este e o anterior adaptações de livros de John Grishman) e, é claro, Um dia de fúria (Falling down, de 1993).
Com uma atuação inspirada de Michael Douglas, Um dia de fúria tem ótimas cenas - como a famosa cena da lanchonete -, que retratam inúmeras situações nas quais o homem contemporâneo, na vida caótica, estressante e fútil das grandes cidades se vê enredado e que acabam mesmo afetando sua saúde física e mental.
Em um videoclipe divertido - aliás, uma das características da banda - lançado no início do mês, o Foo Fighters presta uma homenagem ao filme de Schumacher. Cabe ao performático Dave Grohl o papel principal do vídeo para a canção "Walk", a faixa que fecha o ótimo CD Wasting Light. Tarefa que o experiente vocalista, por sinal, tira de letra.
Há até bastante fidelidade ao William Foster de Michael Douglas, inclusive no que diz respeito ao figurino, já que estão mantidos os óculos e a camisa branca com gravata listrada, só que em vez da bolsa com a arma, o protagonista aqui carrega um estojo com uma guitarra. Mas o vídeo do Foo Fighters ganha mesmo ao promover certas "atualizações". Repare na cara de reprovação do personagem de Grohl - como quem diz "esse mundo está perdido!" -, preso no engarrafamento, ao olhar os adesivos dos carros à sua frente, que demonstram apoio a Bush e admiração por Justin Bieber e Coldplay: uma ótima sacada.
Após passar por vários perrengues semelhantes aos do filme, o pobre Grohl ainda precisa enfrentar os companheiros de banda. O clipe, que você pode assistir no player abaixo, tem direção de Sam Jones.
Lançado em 2003, exatamente 35 anos depois de Syd Barrett ter deixado o Pink Floyd, o documentário The Pink Floyd and Syd Barrett Story aborda os anos iniciais desta que foi uma das mais importantes bandas da história da música.
Centrando-se na enigmática figura de Syd Barrett - que viria a falecer em 2006 (aos 60 anos, isolado do mundo)-, o filme mostra a importância do músico para a composição de canções como "Arnold Lane", "See Emily Play" e "Bike", do álbum The Piper at the Gates of Dawn (de 1967), um clássico do rock psicodélico. Como bem frisa o primeiro empresário da banda, Peter Jenner, Syd Barrett era o grande líder do Pink Floyd, já que até 1968 compôs a maioria das músicas, era o vocalista e também guitarrista, além de ter sido o responsável pela escolha do nome do grupo.
Porém, não tardaria para que o brilho de seu talento fosse ofuscado pelo consumo exagerado de LSD e o consequente processo de deterioração mental por que começou a passar. O comportamento imprevisível de Syd e a necessidade de honrar com os compromissos profissionais já assumidos levou o Pink Floyd ao recrutamento de David Gilmour (amigo de infância de Syd e Roger Waters) para o posto de vocalista do grupo. Depois de seu afastamento definitivo da banda, Syd Barrett ainda tentou investir em uma carreira solo e chegou a lançar dois álbuns, The Madcap Laughs (1970) e Barrett (1971).
Embora o Pink Floyd tenha alcançado maior sucesso fora do Reino Unido apenas a partir do álbum The Dark Side of The Moon, de 1973, ao assistir o documentário fica bastante evidente para o espectador como a convivência com Syd influenciou e continuou servindo de inspiração para o grupo. É o caso de álbuns como o próprio The Dark Side, Wish Were You Here (de 1975) e The Wall (de 1979), além, é claro, do filme baseado neste último, Pink Floyd: The Wall, dirigido por Alan Parker, em 1982.
Algumas cenas da película roteirizada por Roger Waters, como aquela em que o cigarro de Pink (magistralmente interpretado por Bob Geldof) se consome entre os dedos enquanto ele assiste televisão, a do seu olhar perdido enquanto compõe uma música ao piano e a tensa cena em que o personagem raspa os pelos do corpo, inclusive as sobrancelhas, foram claramente inspiradas nas atitudes de Syd Barrett. O episódio em que Syd aparece irreconhecível nas gravações do disco Wish Were You Here (feito em sua homenagem), bastante gordo e com os pelos do corpo raspados, aliás, é um dos mais chocantes da história do Pink Floyd e não deixa de ser explorado no documentário.
Além de depoimentos dos outros membros do Pink Floyd (David Gilmour, Roger Waters, Richard Wright e Nick Mason) The Pink Floyd and Syd Barrett Story procurou ouvir outras pessoas que conheceram e admiraram o gênio criativo de Syd, como Bob Klose (que fez parte da primeira formação do Pink Floyd), sua antiga namorada Libby Chisman, Mike Leonard, o artista plástico Duggie Fields, e músicos como Robyn Hitchcock, Jerry Shirley (Humble Pie), Graham Coxon (Blur), entre outros. Pena é que o próprio Syd Barrett não tenha podido dar a sua versão da história.
Informações: Título: The Pink Floyd and Syd Barrett Story. Dirigido e produzido por John Edginton (Otmoor Productions). Com músicas de Pink Floyd e Syd Barrett. Lançamento em DVD: março de 2003 (UK). Duração: 49 minutos. Linguagem: Inglês (Legendas em Português).